sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sem fôlego

E existe o senso inexplicável unido a dizeres insensíveis. Existe a inexistência perdida, o vácuo que fere e a força de uma mente egoísta, singular. É nessa falta de esperança que me lembro do quanto perdi e de quantas vezes resiste e relutei.
É que me apego. Sofro. Choro. Eu choro, e esse eu é do Rafa parando de ser poeta. É do Rafa tentando sobreviver mais uma vez, mas desistindo.
De um lado há silêncio e do outro há barulho, e eu gostaria de poder pará-los.

É esgotar ou não viver.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Desabafo

E é nesse estágio de sono que me encontro. Primeiro durmo. Durmo nas minhas palavras, sem saber e sem querer ler ou escutar outras; ora por influência ora por fraqueza. Franqueza é o que levo a sério, mas não sou sério, apesar de parecer. Sou honesto. Eu sou homem, não moleque.
Nunca tive grandes vícios. Minto. Tenho um enorme vício: o vício de pensar. E é pecado? Não é pecado se drogar, não é pecado fumar, beber, cair, não é pecado morrer, mas morrer mata. E matar é pecado. A morte mata tantas coisas, tantos sentimentos, tantas decisões, tantas linhas não ditas e até aceitas um dia antes de ter o seu corpo debaixo de tanta terra. Isso não é poesia.
Então paro, penso, reflito. Eu sou meu psicólogo, eu sou o meu amor, a minha carência, a minha saudade. Do que sinto falta? De mim, não de outro "mim". E bate tão desesperadamente que recuso qualquer oferta alheia, qualquer convite, porque não vejo o que há de tão completo nas pessoas (mais sincero impossível). Ora decepção, ora receio, ora tristeza.
Porém seria tão mais fácil se no meio do caminho não tivesse pedra alguma, se não tivesse pedra alguma no meio do caminho. Pois no momento que nego me contradigo e no momento que afirmo também. Como aceitar o que é tão imensamente opositor? Não sei, acho melhor salvar e pronto (ou ponto).

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tradução de um momento

Hey, você que acompanha isso aqui, dê pause no player ali do lado e escute esse aqui embaixo:

Moonrock - Moptop

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

valei-me, Deus.

efémeras vozes me dizem palavras miudinhas,
mudinhas.
cheio de transpiração me recolho a elas
cheio de dor
boa dor, angústia, desejo,
saudade, desespero

várias vezes voltei ao vazio
de ver
de crer
e de escrever já cheguei
a cansar

mas quantas flechas matam a vida de um homem contornado de sentimentos?
são esses sorrisos e estes olhinhos puxados
é essa boca desenhada
e algumas orelhas ferozes
(que gravam, regravam e encravam as letras numa memória sem dúvidas,
com medos, com frios e cheiros)

e metade é amarelo
mas metade não é o suficiente
metade não é o bastante
metade não é nem apenas
e nem está tão distante
metade é metade a vera
sem só
sem nó
sem dó
e com tudo isso junto,
mas separado.

eu espero
espero mil e uma noites
um dois três
um até dez
um até cem
um até não aguentar (mais),
sabendo aguentar.

e quando eu disser que não sei
me refiro a:
amar, apaixonar, viver, ferir,
entre tantas definições
que encontrem limites.

pois me pergunto: qual o limite?
e acho que nem as efémeras vozes
me explicarão.

domingo, 11 de outubro de 2009

Estou em falta com você

Minha cara e querida amiga,
que tomba nas lanças de uma amizade sortida
que prega uma peça nesse teatro de vida

a você, que só tem um m de mordaz
E que não quebra a batuta
dessa fascinante orquestra de tonadilha
suntuosa companhia, nessas horas vagas
em que o maestro falta
e você completa
você preenche
enche
sufoca
mata

e de prazer arremata
todas as idéias de um simples trombeteiro
cheio de toins e erres

por mais que tu erres a nabinha
feliz será
sorrirá
surtirá simplesmente em tu, maestra
existirá somente tu
consistirá apenas em tu, para tu,,,

e mais três vírgulas de quebrar uma linha,
de vencer a ortografia e tropeçar na gramática
afinal, não preciso nada além desses três pontos
que te definem em subjetividade
continuidade
eternidade
...

por fim eu uso
e redijo em mim
um eu te amo honorariamente
com expediente incomum
com hora extra
e tempo de recarga
porque não é um peso
mas pesa em grandeza
bem mais do que você possa entender
e do que a epígrafe possa explicar.


para Manu, minha guerreira.

sábado, 26 de setembro de 2009

Lembranças de um futuro

Lembro-me daquele tempo em que o medo de perder era maior que a dor de vencer. Lembro-me de sons figurados e dissimulados, mutuando qualquer lembrança cumulativa. Lembro-me do gótico, do gélido e da alegria que foi vencida pelo cansaço de só mais um dedo opositor, de só mais uma voz sedutora que indicava qualquer caminho inventivo.
Lembro-me de pontos e vírgulas postos numa graduação famigerada. Lembro-me de alguns corais (tanto dos corais marinhos quanto daqueles unidos em uníssono). Lembro-me até da aliteração de uma poesia solitária, pobre e pesada. Lembro-me de um apontar árduo de espécie simétrica, talvez dos acentos esquecidos e do sorriso apertado, forçado, suscitado de agonia. Lembro-me de tantas esquinas que esperaram só mais um conselho de Pitágoras. Lembrei apenas dos melhores, e entre eles estava Drummond, Clarice e Machado.
E assim, contrário e perdido, eu somente lembrei de ter vivido a sorte de uma língua sem dobras, de uma consciência sem limites, de um viver encharcado de chuva fraca e fina, que insiste em desaguar monossilabicamente nos olhos cansados que enxergam mais que o ontem possa alcançar e mais que o limite possa nascer.

sábado, 5 de setembro de 2009

A Porta Preta - Um pequeno conto

Parte II

Já não fosse feito de sensações traidoras, usurpadoras do coração de Pablo, acontecia também o impasse físico. Nunca entendi como aquele corpo, que um dia sustentou tanta força, pudesse estar impregnado de maldade e rarefazer o instinto benévolo. Talvez duas pessoas convivessem ali, mas este não é o foco da história.
Pablo e sua mãe atravessaram a rua despercebidamente, porém agora com expressões impassíveis, dignas de serenidades descomunais. O asfalto cheirava a chuva, as nuvens cheiravam a chuva e o céu, agora ainda mais coberto de 256 tons diferentes, implorava claridade.
Uma escada pequena e torta indicava o caminho ao hospital; a partir dali o escárnio da pureza fora iniciado. Um ar ora imperioso ora subjetivo, dominava cada gota de sangue que corria nas artérias daquele garoto. E ao chegar ao topo da escada, podia avistar completamente a rua lá embaixo: larga, pura e sólida. A construção estava a frente deles, com pedaçoes de gesso bem moldados, arredondados e pintados de um marrom avermelhado. Não se podia negar que o lugar era antigo, mas também possuía uma beleza minuciosamente detalhada. Entraram por uma porta de madeira talhada em quadrados semelhantes. A mão fria da mãe de Pablo tocou a maçaneta e empurrou a porta devagar, fazendo-a ranger um pouco.
Sim, era um hospital. Muitas pessoas já circulavam por ali, muitas vidas com fisionomias abatidas. Bonito por fora, pesado por dentro; por dentro de Pablo, por dentro do hospital, por dentro de almas quase eternamente ligadas às carnes.
- Acho que este não é o lugar adequado, não me sinto bem aqui. - Disse à mãe, tentando ser paciente.
- Não é este? - Questionou receosamente.
- Não.
- Você quer tentar outro? - O rosto dela queimava de desespero.
- Aham. - Respondeu num tom seco e sério.
A porta do hospital foi aberta mais uma vez e o ranger fora escutado pela última vez. Saíram juntos, de mãos dadas, desceram pela mesma escada e voltaram ao mesmo passeio. Carros velozes passavam e marcavam a pista, era impossível atravessá-la. Alguns ciclistas arriscavam o exercício pelo acostamento.
Um ônibus parou. Não me lembro bem aonde ia, mas notei que os dois entraram e sentaram. A mente desordenada de Pablo traduzia o pensamento de que não importava muito qual caminho estavam seguindo, o seguir por si só era o suficiente, o bastante. Chegaram ao lugar correto assim.

domingo, 23 de agosto de 2009

Pontos

Sintomas simétricos situados no coração revelam toda a faculdade da razão; quase nula, até mais do que o engasgar doloroso. Talvez sufoques mais pessoas, talvez até se orgulhe disto, mas muito mais talvez se enforque no próprio peso de uma língua inconsciente.
Arranhados, acabados, destroçados, os símbolos incolores que te dei. Cheguei sim a indagar o invadeável, e com os pés molhados cerquei-me das gotinhas de calafrio. Um tanto seco, um tanto seguro, mas num canto enlacei a narração; sem sentido, sem caminho, com ou sem a rima de um poema claro, claríssimo.
Queria ter tanta inveja para interpretar metaforicamente como Carlos. Queria ter a honra de sentir um orgulho estilo espectro color; seria mudar para um momento perfeito, mesmo que por momento, mesmo que por segundo. Mesmo que por ferido, prefiro mesmo perder. E, se pensei por um instante em ganhar, jactancioso fui, jactancioso sou, jactancioso serei.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Porta Preta - Um pequeno conto

Introdução

Quando eu era pequeno, costumava sonhar que uma bola negra, lisa, brilhante e gigante me perseguia. Pode parecer engraçado, hoje, mas eu tinha muito temor à bola. E o mais impressionante é que a bola não queria me machucar. Eu corria sempre para frente, caía, a bola parava e eu levantava. O prazer dela era simplesmente me perseguir. Eu sempre procurei um significado para esse sonho sinistro, e talvez nem haja.
O que conto aqui é apenas parte do ilusionismo simplório que me cega.
Este? É real.

Parte I

Uma rua deserta era o caminho escuro daquela noite. A lua iluminava as gotas de água que caíam do céu e tocavam ao chão; cada gota, um barulho diferente. As vestes comuns, que cercavam o corpo de um jovem repleto de curiosidade, enfeitavam um simples cenário embaçado, astigmático. Ele adentrava a rua com uma adrenalina digna de parada cardíaca, deixando, a cada passo, o sapato mais sujo e molhado. Seu rosto magro e pálido obscurecia todos os sentimentos infiéis, que eram produzidos constantemente; sim, invisíveis a olho nu.
Algum arfar era escutado de um canto a outro da rua; o garoto não estava sozinho. Conduzido por um pavor inebriante, ele começou a correr. O chão de pedras colocadas naquela delicada equidistância se abria, tomando luz por alguns postes acesos. O garoto pensou em parar para observar quem eram aquelas pessoas, mas sentiu que o seguir o tomaria a um lugar seguro de calma.
Uma passarela vazia se pôs a frente dele, o que não o denotou menor medo. Subiu, andou, desceu. Sim, uma neblina colossal o cobriu. A noite caíra quase que de repente e ele nem prestara atenção no sumiço da lua. O lugar estava gelado e a chuva cessava aos poucos.
- Pablo, estou aqui! - uma voz que partia do meio da neblina ecoou docemente.
- Não consigo te ver, mãe. - resquícios de consciência e segurança regeneravam-se no garoto perdido.
- Tente seguir a minha voz! - alguma música soava pela neblina adentro, partida da voz daquela mulher escondida.
O cheiro de chuva naquele asfalto liso, dificultava a concentração, atraía a Pablo. Porém, com um esbarrão, ele e sua mãe se encontraram. Aquele calor solar dos dias de verão não era presente, mas a iluminação da rua ficou bem melhor quando o branco amarelado bateu na neblina. Nuvens de tom cinza claro deslocavam-se, cobrindo o céu e deixando somente o sol exposto por entre elas.
- Filho, precisamos entrar no hospital. - disse a mulher com uma preocupação maternal.
Algumas pessoas já se locomoviam pelo passeio público em direção aos seus trabalhos. Um carro ou outro passava pela rua larga, com a velocidade menor que o normal. E a mesma rotina de todos os dias passava a se fazer a partir dali.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Aprendendo a prestar mais atenção em pequenas bobagens. xD

Marcela: Ele *Meu xará Rafael.* parece com Harry Potter, velho!
Eu e Nati: Não parece nããããooo!
Nati: Ele parece com Dobby.
Rafael: Quem é Dobby? *Sotaque Caipira.*
Nati: É aquele elfo doméstico do filme.
Rafael: Ué, tá me chamando de animal, é? *Sotaque caipira mais uma vez.*
Todos riem. UHAUHAHUA
Eu: Ele é cantor sertanejo, pow. Canta um pouquinho aí, vai. *Raxando de rir.*
Rafael começa a cantar música sertaneja.
Marcela: Cadê sua dupla, rapaz?
Rafael: É, né? Tenho que arranjar.

Obs: Rafael é o meu xará. A conversa era sobre ele, não sobre mim. UHAHUA 8D


"A coragem não é a ausência de medo, mas a percepção de que algo é mais importante do que o medo."

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amarugem

Vejo os pássaros voando, o sol, o verde, e, quando me canso, sinto a boca seca, a garganta inflamada de rouquidão. Sempre cantei por algum significado. Não existe. A simplicidade definitivamente prevalece nesses momentos ariscos. Onde o medo da solidão me fez tomar a decisão abdicativa da própria felicidade.
Plantei três rosas, três vidas, três perfumes, que, pela ponderação de sentimentos, se tornaram diferentes em epítome. Estorvei estas flores de exercer um senso dito normal, mas sempre as afaguei com o calor solar. O abrigar nunca me trouxera benefícios, além da satisfação habitual de tê-las ao meu lado. E, por concomitância de alguns prazeres, estas rosas criaram pés, mãos e mente. Seria preciso uma boa dose de água para afogá-las em desespero. Eu não. Eu quero rosas livres. Quero que estes perfumes encantem outros lares e distribuam mais sensações de conhecimento, mesmo que pouco.
Sinto-me esvaído de forças; de boas forças, talvez. Mas insisto, persisto e resisto a todo e qualquer mal que me tente consolar. Segue-me apenas um paladar esquisito, adverso a qualquer luz, sombra e água fresca. Nesses momentos, percebo como é fácil temer o escuro, ainda mais quando se está dentro dele.

domingo, 19 de julho de 2009

POIS É!

Mudei. Chega de Cosmic Sunshine. /o/ Já estava saturado, o clima lá estava estranho. Não que eu tenha mudado de humor, mas é bom pelo menos mudar de "lugar". É como ir para a mesma sala todos os dias e sentar-se no mesmo lugar, mas de repente decidir sentar em outra cadeira. A cadeira não vai interferir no seu humor, mas você conseguirá ver e viver coisas novas desse novo ângulo.
Enfim... Aqui é só uma apresentação do blog. O nome foi retirado da música Karma do Kamelot. A sonoridade é perfeita, assim como, ao meu senso interpretativo, certos trechos podem ser comparados não só comigo, mas com várias pessoas que estão ao meu redor. Com todo o mundo, na verdade.
Além do nome, coloquei uma música bem bacana ali no canto. Me peguei cantando hoje quando voltava do curso. Comentários livres, para quem quiser. xD
Acho que isso é tudo. Amanhã começarei a postar uns textos que escrevi esses dias.

Beijos. :*

P.S.:

Karma

I am a king of honor,
Gold and glory,
But every king must also die.
Have i been just and righteous?
What is glory?
I know i've torn and taken life
And here i stand,
A small and simple man.
Who will trade his karma for my kingdom?
A sacrificial rite to render truth.
The fire in my soul rejects my wisdom,
Cause all you do in life comes back to you.

I am a king in crisis,
Counting minutes.
There is an ending to my reign.
My sins have come to face me,
I can feel it.
That i have lived my life in vain,
And now i know i'll reap
The seeds i've sown.

Who will trade his karma for my kingdom?
A sacrificial rite to render truth.
The fire in my soul rejects my wisdom,
Cause all you do in life comes back to you.

Am i mad?
I feel so void and cold.
Who can tell?
Who holds the stories untold?
Tired and trembling,
I am descending.
Will i have to stay here
And live this life again?

Who will trade his karma for my kingdom?
A sacrificial rite to render truth.
The fire in my soul rejects my wisdom,
Cause all you do in life comes back to you.

Kamelot