sexta-feira, 7 de maio de 2010
Permanência
No dilúvio de quebrar as peças do que os raios fizeram, sabedoria ficou, salvou a vida de quem pediu a mais, de quem pediu por favor. No mais quente ápice épico de claridão, quem poderia não quis cumprir, mas quem cumpriu se fez suficiente. No que há de se dar, o humano que peca, do caso à parte e da pedra à vida, nenhuma era cenozóica sobreviverá. O que ninguém explicou como razão de ser começo, sem os motivos, nem os termos efetivamente supracitados. Só combinaram de ter o herói, nos construíram heróis neste mundo de prazer. Da distância, ao rever que o ponto de partida diluiu, fez-se escolher o mais novo caráter para o que jogo quer cumprir. Sob as chamas da novidade, durante qualquer mudança: novo ou velho... perante o que eu vi.
domingo, 2 de maio de 2010
Por que amar?
É porque amar faz bem, faz surgir o humano que há em você e faz você carregar tudo que é bom (sobre você, em você).
Porque amar vai te levar a uma outra dimensão; e uma hora você precisará percorrer este caminho.
Porque amar vai te deixar mole, vai fazer seu coração sangrar, vai te fazer cantar, chorar e contar histórias de como o seu passado foi horrível antes desse sentimento chegar.
É porque falar de amor é como falar do azar que você teve no Natal anterior: não te traz boas recordações, mas você sempre acredita que um melhor possa vir; o que faríamos sem o Papai Noel?
É porque quanto maior a dor de amar e ser amado, mais você quer, apesar de sempre dizer "eu não acredito mais no amor".
É porque por mais contraditório que ele seja e por mais contraditório que seja falar dele, nada o supera.
E também porque quando você dorme, você saberá se está sendo amado.
Porque quando você perde, você luta até o ponto em que é possível e quando você foge, você acha que o melhor caminho é voar.
Porque você nunca vai notar as melhores coisas simples que já aconteceram antes delas acontecerem e você saberá sobre todas as coisas que te fazem sentir completo, mas também todas as coisas que te fazem dizer "já basta".
E você vai precisar de culpa, você vai precisar de medo, você vai precisar ser o mais ser humano possível para ter a honra de sentir amor. Você vai precisar ser ou não. Mentira. Você precisa apenas nascer. E você pode odiar, se quiser. Você pode matar e até morrer algum dia, mas você saberá quando acontecer. Nunca, nunca, nunca será tarde.
Porque amar vai te levar a uma outra dimensão; e uma hora você precisará percorrer este caminho.
Porque amar vai te deixar mole, vai fazer seu coração sangrar, vai te fazer cantar, chorar e contar histórias de como o seu passado foi horrível antes desse sentimento chegar.
É porque falar de amor é como falar do azar que você teve no Natal anterior: não te traz boas recordações, mas você sempre acredita que um melhor possa vir; o que faríamos sem o Papai Noel?
É porque quanto maior a dor de amar e ser amado, mais você quer, apesar de sempre dizer "eu não acredito mais no amor".
É porque por mais contraditório que ele seja e por mais contraditório que seja falar dele, nada o supera.
E também porque quando você dorme, você saberá se está sendo amado.
Porque quando você perde, você luta até o ponto em que é possível e quando você foge, você acha que o melhor caminho é voar.
Porque você nunca vai notar as melhores coisas simples que já aconteceram antes delas acontecerem e você saberá sobre todas as coisas que te fazem sentir completo, mas também todas as coisas que te fazem dizer "já basta".
E você vai precisar de culpa, você vai precisar de medo, você vai precisar ser o mais ser humano possível para ter a honra de sentir amor. Você vai precisar ser ou não. Mentira. Você precisa apenas nascer. E você pode odiar, se quiser. Você pode matar e até morrer algum dia, mas você saberá quando acontecer. Nunca, nunca, nunca será tarde.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
minúsculas
na infinidade de tudo o que poderia te dizer violentamente, reprimo. indicaria sinais como uma forma de melhorar o que não foi cumprido devidamente. há mais solubilidade entre a liberdade, doçura e o choro do que no parar no meio de uma porta errada, com chaves inúteis.
os olhares se perderão como um sentimento comum, como perspectivas de destinos e planos espalhafatosos.
nós, os palhaços, possuídos pelos nossos carmas individuais, participando de alguns carros alegóricos que entoam o medo de nossas verdades. nada como o veludo, o conforto de ser especial. tu melhor danças no escuro, enquanto chovem os dias na tua sobriedade. no tanto que o tempo tem e se cumpre. mas esvai-se, torna-se, alega-se, propõe-se. como sol. sem queimar todos os esquemas suficientes que tragam paz. dói-se, perde-se, inunda-se, cede-se. no meio de tudo que pedra nenhuma impediu. perdão.
os olhares se perderão como um sentimento comum, como perspectivas de destinos e planos espalhafatosos.
nós, os palhaços, possuídos pelos nossos carmas individuais, participando de alguns carros alegóricos que entoam o medo de nossas verdades. nada como o veludo, o conforto de ser especial. tu melhor danças no escuro, enquanto chovem os dias na tua sobriedade. no tanto que o tempo tem e se cumpre. mas esvai-se, torna-se, alega-se, propõe-se. como sol. sem queimar todos os esquemas suficientes que tragam paz. dói-se, perde-se, inunda-se, cede-se. no meio de tudo que pedra nenhuma impediu. perdão.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Lucidez
Não haverá um só desastre
entre as palavras não ditas,
nem entre a repressão escrita.
Sem os dias de glória
sem as noites de folga,
não existirá a guerra,
nem rirão da fome
de quando em quando
e de apenas em apenas.
Somente um incentivo tornar-se-á
dono das escadas que a imaginação produz.
E, sim, estará contra os degraus
que erigem nitidamente
todos opostos aos narcisistas.
Quem encontra o sossego perceptor,
quem envolve o tato,
mais que química tem,
mais que sentimentalismo,
mais que conceitos quebrados,
cortados,
ligados,
fundados em tudo o que a essência já permitiu julgar.
E a causa do medo
encontra-se-á nas linhas perdidas
que ninguém explica,
que ninguém entende,
que ninguém obtem obtusamente,
mas que todo mundo quer indicar.
Mais que frio,
gelo
e morte,
eles transformarão tudo em todo,
enquanto os dias iniciais
durarem mais do que a suficiência
de serem os mesmos.
entre as palavras não ditas,
nem entre a repressão escrita.
Sem os dias de glória
sem as noites de folga,
não existirá a guerra,
nem rirão da fome
de quando em quando
e de apenas em apenas.
Somente um incentivo tornar-se-á
dono das escadas que a imaginação produz.
E, sim, estará contra os degraus
que erigem nitidamente
todos opostos aos narcisistas.
Quem encontra o sossego perceptor,
quem envolve o tato,
mais que química tem,
mais que sentimentalismo,
mais que conceitos quebrados,
cortados,
ligados,
fundados em tudo o que a essência já permitiu julgar.
E a causa do medo
encontra-se-á nas linhas perdidas
que ninguém explica,
que ninguém entende,
que ninguém obtem obtusamente,
mas que todo mundo quer indicar.
Mais que frio,
gelo
e morte,
eles transformarão tudo em todo,
enquanto os dias iniciais
durarem mais do que a suficiência
de serem os mesmos.
sábado, 24 de abril de 2010
Fernando Bonassi - Folha de São Paulo, 06/05/98
Eu escrevo porque tenho raiva. Escrevo porque tenho medo. Porque tenho fome. Eu escrevo porque fazer um filme é caro e demorado demais. Eu escrevo porque pra fazer um filme, via de regra, é preciso beijar a mão de canalhas presidentes, canalhas secretários de Estado, canalhas prefeitos... Escrevo porque a mão dos canalhas que beijei tinha gosto de ovo podre. Eu escrevo para burilar minha burrice infinita. Pra não ser vítima da minha própria crueldade. Eu escrevo porque a vida vai ficando cada vez mais enrolada, ao contrário do que meu pai dizia, e assim é como se eu estivesse num trem rápido, com meio corpo pra fora, tentando agarrar os matos do caminho. Eu escrevo porque me acho melhor que os outros... e sofro de vergonha. Escrevo porque de uns tempos pra cá começaram a me dar algum dinheiro por isso. Eu escrevo para humilhar as pessoas que não gosto. Eu escrevo porque pareço ter acesso a mais profundezas trágicas e úmidas do que se fizesse pontes, móveis ou sapatos. Escrevo porque nunca fui bom em esportes, tenho tique no rosto e meu cabelo cresce torto. Eu escrevo porque não tenho útero e não posso ser mãe de nada. Eu escrevo pra um dia poder parar com essa frescura de escrever e viver comigo. Simplesmente. Feliz como uma vaca feliz. Sem texto, sem droga nenhuma.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Rafa's Anatomy
Talvez não contaremos mais quantas vezes vamos nos apaixonar. Talvez os televisores informarão as nossas próprias tempestades e tragédias algum dia. Talvez o que é de verdade e o que transpira bondade possa demorar a chegar... Mas nós sempre sobreviveremos. E essa paz que nos consola agora será cada vez mais intensa, enquanto o prazer de nossos vícios estiver aqui.
terça-feira, 20 de abril de 2010
ponto de encontro
queria eu poder mais
queria eu todas as doses
os preços
a culpa
queria sentir mais que só
somado a necessidade do bastante
do suficiente
eu queria entender
do ausente
queria ocupar a vaga que o estacionamento
de minha vida paralela
deixa pendente
e da cegueira que me acolhe
carregada
de um dois
menor que um inteiro
maior que a caída partícula
do sentir apertado
suscito alegria
do meu cheiro queria você
de você queria a lembrança
só lembrar
porque ainda estou aqui
(tu) querias mais perguntas do que término
e é mais "que" enrolado;
sem explicação
do porquê de ser anaforicamente correto
sem vácuo preso;
mais oculto
mais sombrio
e conquistador
sem solitude pura
nem solidão que dure
ou tempo que cure
sem Edward Hopper
nem roupas de viagem
ou dicotomias que apareçam em néon
maior que a dignidade assolada
e menor que a aguda ferocidade
não passa do público
por medo de ser outrem
não entra no mar
pois o mar é grande
e a dor não ocupa
aguada permanece
não preenche bagagem
não disfarça motim
não morre
nem mata
e apenas vive
queria eu todas as doses
os preços
a culpa
queria sentir mais que só
somado a necessidade do bastante
do suficiente
eu queria entender
do ausente
queria ocupar a vaga que o estacionamento
de minha vida paralela
deixa pendente
e da cegueira que me acolhe
carregada
de um dois
menor que um inteiro
maior que a caída partícula
do sentir apertado
suscito alegria
do meu cheiro queria você
de você queria a lembrança
só lembrar
porque ainda estou aqui
(tu) querias mais perguntas do que término
e é mais "que" enrolado;
sem explicação
do porquê de ser anaforicamente correto
sem vácuo preso;
mais oculto
mais sombrio
e conquistador
sem solitude pura
nem solidão que dure
ou tempo que cure
sem Edward Hopper
nem roupas de viagem
ou dicotomias que apareçam em néon
maior que a dignidade assolada
e menor que a aguda ferocidade
não passa do público
por medo de ser outrem
não entra no mar
pois o mar é grande
e a dor não ocupa
aguada permanece
não preenche bagagem
não disfarça motim
não morre
nem mata
e apenas vive
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